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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Respeite a surra

Um caminhão de Cruz Vermelha chegou á vila Neuma fazendo doação de roupas usadas.
Um malandro, biriteiro, de porte físico avantajado, vendo o alvoroço, veio correndo se juntar á multidão. O malandro vendo uma roupa enorme, do seu tamanho, de cor cáqui, uma espécie de farda, foi logo dizendo:
     Essa é do Dodói!
Depois de tomar um banho, o malandro vestiu a nova indumentária e convidou um amigo para “dar umas voltas”. Por onde passava, ele era alvo dos olhares e da curiosidade de todos . Ao chegarem ao cabaré, o malandro pediu uma cerveja e foi dançar com uma das garotas. Depois de várias cervejas e de ter dançado com todas as garotas disponíveis, eis que chaga uma patrulha policial. O comandante da Patrulha e os seus subordinados, quando invocada, se entreolham, batem continência, perguntam se está tudo bem e vão embora.
O malandro estava se sentindo o maior dos homens. As garotas lhe cobriram de mimos e carinhos. E para completar, a dona do bordel disso que a “autoridade presente” não pagava nada.
O malandro estava fazendo tanto sucesso com a nova roupa que aonde ele chegava, as pessoas pensavam que se tratava de uma ilustre autoridade. A cena dos policiais lhe prestarem continências foi repetida várias vezes. Até que um dia, um policial novato, comandante da patrulha, ao se deparar com o malandro mais uma vez no cabaré, lhe pergutou:
     Qual a sua corporação?
O malandro sem saber o que é corporação e morto de bêbado responde:
     Eu trabalho na olaria de Chico Judite.
Segundo o povo da vila Neuma, foi a maior surra que um malandro dali já levou. A surra foi tão grande que ao rasgarem as pernas da calça, ainda deu uma saia para a irmã do malandro.

Escrito: Por Giovani de Oliveira